Candomblé

terça-feira, 16 de novembro de 2010


A primeira versão do romance A BESTA DOS MIL ANOS já previa duas cenas do fascinante ritual de Candomblé com suas danças e cantigas ao ritmo alucinnante dos atabaques. Para não cometer enganos e dar mais realismo ao enredo na versão final pude contar com a colaboração da colega do curso de Literatura da UERJ e da Estação de Letras: Cida Nogueira. Agora, ela me oferece um primoroso texto para o blog. Não poderia faltar em postá-lo, agradecendo mais uma vez a consideração e o carinho. – o Autor.

APENAS UM COMENTÁRIO SOBRE O CANDOMBLÉ

No capítulo 17 e no capítulo 20 do livro há referências ao ritual de Candomblé. Alguns detalhes me pareceram merecer ser aprofundadas para a melhor compreensão do leitor que já leu ou do que ainda vai ler o livro.

O candomblé que teve sua origem na cidade de Ifé, na África, e foi trazido para o Brasil pelos negros iorubás. Seus protetores são os Orixás, dos quais somente alguns são cultuados no Brasil: Exú, Ogun, Osossì, Osanyin, Obalúaye, Oxumaré, Nanã, Xangô, Inhasã, Oba, Ewa, Logun Edé, Oxaguian e Oxalufan, com destaque visual para os Orixás: Oxun,Yemanjá e Ogun.


A antiga cidade de Ifé, ficava situada a sudoeste da atual Nigéria e era a capital religiosa e artística do território que cobria uma parte central da atual República do Daomé.

Ao contrário do que se pensa, nem todos os pedidos são atendidos pelos orixás. Quando um orixá recebe um pedido, ele o leva a Olodumaré e este decide se o pedido vai ou não ser atendido. Este julgamento é baseado no merecimento da pessoa que faz o pedido.

Os Orixás são elementais da natureza por excelência, guardiões e fiscais, regem e cuidam da natureza em si e da natureza humana; o homem, objeto maior da criação divina. A teologia yorubana, faz referência a Olorúm como criador de todas as coisas.

Cada traço da personalidade é associado a um elemento da natureza e de sua cultura. O Àxé das forças da natureza é parte do Orìxà, porque o seu culto é exatamente dirigido para esses poderes: nascimentos, vida e morte, saúde, doenças, chuvas, orvalhos, matas, rios, mares, etc. Representam os quatro grandes elementos: fogo, ar, terra e água, e os três estados físicos dos corpos: sólido, líquido e gasoso. Representam ainda os três reinos: mineral, vegetal e animal, além dos princípios masculino e feminino, também presentes em sua representatividade. Tudo isso revela o poder vital, a energia, a grande força de todas as coisas existentes, que é denominada de Àxé. Cada Orixá possui seu sistema simbólico: cores, cantigas, danças, rezas, etc.

Por ocasião do sincretismo com o catolicismo, EXU foi associado ao diabo, mas isso é um grande equívoco, porque a palavra “Exu” significa, em ioruba, “esfera”, aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim. Exu é o principio de tudo, a força da criação, o nascimento, o equilíbrio do Universo, a célula mater da geração da vida, o que gera o infinito. É considerado o grande mestre dos caminhos; o que permite a passagem, o início de tudo. É a força natural viva que fomenta o crescimento. É o primeiro passo. É o gerador do que existe, do que existiu e do que ainda vai existir.

Exu está presente na concepção global da existência. É a capacidade dinâmica de tudo que tem vida, principalmente dos seres humanos. É o que nos dá a capacidade de agir, andar, refletir, idealizar. Sua presença é também marcante na fecundação do óvulo, quando a primeira célula da vida está formada e também na multiplicação dessa célula, sempre presente na concepção global da existência. É a capacidade dinâmica de tudo que tem vida. Exu é a velocidade, a ligeireza do deslocamento. Diz-se que é a contradição. É o sim e o não, o ser e o não ser, mas também é ajuda, o que dá caminhos e soluções. É aquele que traz a dor e a felicidade. O Fogo é o seu elemento, mas a Terra e o Ar também são bem conhecidos dele, pois Exu é a presença constante!

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TRADUCTION EN FRANÇAIS

La première version du roman de LA BÊTE DES MILLE ANS prévoyait deux scènes du rituel fascinant du Candomblé avesc ses danses et ses chansosns au rythe hallucinant des tambours. Pour ne pas commettre d’erreurs et donner plus de réalisme à l'intrigue dans la version finale, j’ai pu compter avec la collaboration de ma collègue de l’Université d’État de Rio de Janeiro (UERJ) et l’espace culturel Station des Lettres: Cida Nogueira. Maintenant, elle propose un magnifique texte pour le blog. Je ne pouvais pas manquer de le poster et une fois de plus remercier son aide et gentillesse. – l’Auteur.

JUSTE UN COMMENTAIRE SUR LE CANDOMBLÉ.

Au chapitre 17 et au chapitre 20 du livre il y a des références au rituel du Candomblé. Quelques détails me semblent mériter d'être approfondis pour la meilleure compréhension tant du lecteur qui a lu comme celui qui encore va lire le livre.

Candomblé, qui a son origine dans la ville d'Ife en Afrique et a été amené au Brésil par le Negro Yoruba. Leurs gardiens sont les Orishas, dont certains seulement sont adorés au Brésil, a savoir: Exu, Ogun, Osossì, Osanyin, Obaluayê, Oxumaré, Nana, Xango, INES, Oba, Ewa, Ede Logan, et Oxathianne Oxalate, les plus beaux visuelment Orishas: Oshoun, Yemanjá et Ogun.


L'ancienne ville d'Ife, était situé au sud-ouest du Nigeria et a déjà été l'actuelle capitale religieuse et artistique du territoire qui couvrait une partie centrale de l'actuelle République du Dahomey. Contrairement à la croyance populaire, toutes les «demandes» ne sont pas immédiatement acceptées par les divinités. Quand une divinité reçoit une demande, il la transmet au Olodumare et celui–ci décidera si la demande sera accepté ou non. Ce jugement est basé sur le mérite de la personne qui effectue la demande.
Les Orishas sont les «élémentaux» de la nature par excellence, les gardiens et les fiscaux, ils gouvernent et de prennent soin de la nature elle-même et la nature humaine; l'homme, le plus grand objet de la création divine. La théologie Yorubane se réfère à Olorúm en tant le créateur de toutes choses.

Chaque trait de personnalité est associé à un élément de la nature et à sa culture. L'Axe des forces de la nature fait partie de l'Orixá, parce son culte est dirigé exactement en vers ces pouvoirs: naissances, vie et mort, santé, maladies, pluies, rosée, forêts, rivières, mers, etc. Ils représentent les quatre principaux éléments: feu, air, terre et eau, et les trois états physiques des corps: solide, liquide et gazeuse. Ils représentent aussi les trois royaumes: minéral, végétal et animal, en plus des principes mâle et femelle, qui sont également présents dans sa représentativité. Tout ceci révèle le pouvoir vital, l'énergie, la grande force de toutes les choses existantes, ce qui est nommé Axe. Chaque Orisha a sa symbolique: couleurs, chansons, danses, voeux, etc.

A l’occasion du syncrétisme avec le catholicisme, EXU fut associé au diable. Mais c'est une grosse erreur, parce que le mot «Exu» désigne, en yoruba, "sphère", ce qui est infini, qui n'a ni commencement ni fin. Exu est le principe de tout, la force de la création, la naissance, l'équilibre de l'univers, la cellule mère de la génération de la vie, ce qui gére l'infini. Il est considéré comme le grand maître des chemins, celui qui permet le passage, le commencement de tout. C’est la force vive de la nature qui fomente la croissance. Il est le premier pas de tout. Il est le générateur de ce qui existe et de ce qui devra encore exister.

Exu est présent dans la conception globale de l'existence. C'est la capacité dynamique de tout qu’existe de vie, principalement des êtres humains. C’est ce qui nous donne la capacité d'agir, de marcher, de penser, d’idéaliser. Sa présence est également remarquable dans la fécondation de l'œuf, quand la première cellule de vie est formée et aussi à la multiplication de la cellule, toujours présente à la conception globale de l'existence. Exu est la vitesse, la rapidité des déplacements. On dit qu’il est la contradiction. C'est le oui et le non, c’est l’être et le non être, mais aussi celui qui donne les chemins et les solutions. Celui qui apporte la douleur et le bonheur. Le feu est son élément, mais la Terre et l'Air sont également bien connus de Exu, puisqu’il est la présence constante!


(Texte très complexe, traduit par l’Auteur)

1 comentários:

Dijandira 30 de janeiro de 2011 11:56  

Interessante o conteúdo do seu blog; bem diferente. Parabéns que Deus continue abençoando.

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