Crítica

RESENHA E LEITURA CRÍTICA

PROFESSOR ARNALDO NISKIER

Ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 22 de março de 1984 e Presidente da ABL no período 1998-1999. Bacharel em Matemática (1958) e Pedagogia (1962) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (UERJ). Doutor em Educação (1964), em decorrência de aprovação no concurso para Livre Docência (UERJ). Catedrático por concurso (1968) de Administração Escolar e Educação Comparada (UERJ). Secretário de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 22 de março de 1984 e Presidente da ABL no período 1998-1999.

A HONROSA RESENHA DO PROF. ARNALDO NISKIER

A BESTA SOLTA NO ESPAÇO

Um romance que envolve o sumiço de um quadro famoso.

Caveirinha, Cabeção, Dona Martha, Rocinha, astrologia, sexo, Paris, Rio, tapeçaria, balões... o que não falta, na narrativa de Ilmar Penna Marinho Júnior, é a emoção que mantém o leitor preso às incidências da obra. A partir do sumiço de parte da tapeçaria que retrata a besta do Apocalipse, no Castelo de Angers, na França, desenrola-se uma história muito bem construída pelo autor, que se utiliza, de forma competente, dos recursos de cenas paralelas, lembrando o bem sucedido flashback televisivo. Assim se mantém o suspense, que torna o livro atraente, até porque ele é muito bem escrito, inclusive do ponto de vista vernacular.

O autor tem estilo, quando descreve as tentativas de recuperação dos quadros perdidos da sequência da Revelação Divina, em especial a cena desconhecida do “Diabo enjaulado por mil anos”. Esse quadro significa que o dragão de sete cabeças está solto por aí e é o grande responsável pela atual desordem no mundo (discórdia, aids, pedofilia, violência, ganância, etc). Como se vê, não é pouca desgraça.

Em função disso, Ilmar, advogado, que foi Secretário de Administração do Rio e trabalhou na Petrobras, mas preferiu o caminho das letras, criou personagens tipo Poirot que na França têm o compromisso de desvendar o estranho sumiço, concluindo que o quadro poderia estar no Brasil. Aí entra em cena a realidade carioca, com toda a sua coorte de traficantes e favelas despoliciadas. Vejam o que está na pág. 76: “À primeira vista, um dos principais motivos para o crime organizado ter nascido, se expandido e atingido o atual estágio de violência, seria bastante simples: o crescimento incontrolável das cidades.” É claro que as coisas não são tão claras assim e o livro registra uma série de encontros insólitos, via transatlântica, de tal forma que o interesse pela textura é permanente. Há uma grande curiosidade para saber onde está o “cavalo cor de fogo e da guerra”. Poderia estar no Rio de Janeiro, adornando um escritório?

Sem revelar o final da história, pode-se afirmar que o curador francês Ferdinand Rochemont de Sailly reencontrou a tapeçaria em seu trabalho, no segundo andar do pacato Castelo de Angers. Ali estava a famosa cena do diabo aprisionado por mil anos, nunca antes exibida publicamente. O quadro fora recuperado no Brasil, depois de muitas peripécias. Era a Besta aprisionada por  Mil anos com o seu tridente de ouro voltado para o céu... Mas, sobreveio uma tragédia. O suspense provoca a imaginação do leitor, neste atraente trabalho literário.

Uma boa leitura com boas surpresas...

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PEDRO ARMANDO DE ALMEIDA MAGALHÃES

Doutor em Letras (UERJ) e possui Pós-Doutorado em Literatura Comparada (USP). Professor Adjunto do Instituto de Letras (Setor de Francês) da UERJ. Também é Professor da Aliança Francesa do Rio de Janeiro. Atua nas seguintes áreas de pesquisa: romance e historiografia; didática de francês língua estrangeira.



A PRESTIGIOSA LEITURA CRÍTICA

Romance de vivas cores,  A Besta dos Mil Anos de Ilmar Penna Marinho Junior é garantia de divertimento. Pertencente à tradição folhetinesca da melhor estirpe, a narrativa apresenta sucessão de cenas cuja riqueza de detalhes podem evocar tanto a linguagem cinematográfica quanto as tiras em quadrinhos. O tom é por vezes forte, exuberante, deixando escapar uma ponta cética em relação à perversão  humana. Romance de aventuras e/ou policial, ele entrelaça a história da França ao Brasil contemporâneo, mesclando esoterismo, arte e religião. Uma pitada de Alexandre Dumas (Os Três Mosqueteiros), um pouco de Dan Brown (O Código Da Vinci), uma colherada de Paulo Lins (Cidade de Deus),  e muito de Ilmar Penna Marinho Junior... para um romance bem escrito, surpreendente, de uma nitidez de cinema em 3D.

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